Tu em mim.
As tuas palavras passeando o meu corpo.
Isso... assim...
As palavras beijam, os lábios sorriem sem malícia.
As mãos tacteiam o efémero momento de um prazer: ler-te.
Tu e o texto. Aí.
Eu... aqui em mim sem pressas.
Assim...
Só (mente).
"ana"
Nota
Este um "doce" oferecido.
Transcrevo-o.
Não por mim. Por "ela"!
Chamar-se-á "Ana"... Só(mente).
Só? Só com um ene? Somente?
Será que mente?
Se a outra "Anna" ainda existisse...
assiná-lo-ia... se lhe pertencesse!
Assim...
daniel
sexta-feira, 9 de junho de 2006
quinta-feira, 8 de junho de 2006
texto nu e cru

samantha wolov
O
Texto nu e cru este sem leitura outra que não seja minha. Texto nu e cru que nunca pensei escrever para ser lido aí. Sem entrelinhas nem figuras de estilo nem outra solução. Para adultos com reservas que usam bolinhas vermelhas. Palavras de sentido único directas ao alvo sem rodeios.
Envolve-me docemente.
Que os teus braços sejam abraço envolvente.
Sem pressas manso com vagar devagar de-va-ga-ri-nho.
Isso. Assim.
Mão na nuca com dedos vincados que esmaguem meus lábios bem abertos contra os teus em oferta. Que as línguas se toquem, se entrelacem e deslacem nossos corpos.
Isso. Assim.
Encosta-te, enrosca-te e sente o que endurece, em mim e em ti, sob botões arrancados à força, num repente alucinado. Os lábios beijam. Os dentes mordem.
Isso. Assim.
E, chegados aos ouvidos, aflorados os lóbulos pelos recantos mais recônditos, que os lábios sussurrem, murmurem, repitam e gritem, sem receios nem temores nem medos nem terrores de que as paredes oiçam e os vizinhos estremeçam...
Isso... Assim... Em uníssono...
- Fode-me!
Isso... assim...
Nus e crus.
O texto...
Eu e
tu.
(Este texto encontra-se publicado...
... no meu livro)
quarta-feira, 7 de junho de 2006
mulher... meu mar
terça-feira, 6 de junho de 2006
saídas de um beco sem saída
chema madoz
da fornalha
de um beco sem saída
o regresso à frescura
é possível
se
retomar
o labiríntico caminho da ida
ou
anulado
fingir-me vivo e morrer pela tortura
da fome e da sede
ou
içares-me pela corda
lançada da muralha
pela fenda de luz
que abriste
já não sinto forças
já não detenho o tempo
só me resta a ternura
ergue-me
daniel
segunda-feira, 5 de junho de 2006
diálogo um...

weetcharade
- Olha a minha mão.
- Sim...
- Que vês?
- Nada!
- Olha bem...
- (...)
- Nada de nada?
- Não tens nada na mão!
- Pele?
- Sim...
- Uma teia de linhas?
- Sim...
- Tonalidades?
- Sim...
- Quais?
- Claro e moreno escuro!
- Dedos?
- Claro!
- Quantos?
- Cinco!
- E a forma?
- Em concha...
- Movimento?
- Sim. Um dos indicadores...
- Então? Que sentes?
- Que me acolhes...
- Mais?
- Que me chamas...
- Então?
- As tuas mãos não têm. São.
daniel
domingo, 4 de junho de 2006
... e ...
sábado, 3 de junho de 2006
... o texto que ela não lerá...

eugenio recuenco
Noite morna de sábado, pelas onze e meia. Junho.
Um recanto mais iluminado dum bar de hotel. Música
calma em fundo. Retocava escritos para domingo, na
sessão de autógrafos.
- Quer atender?
- Para mim?
- Sim.
- Quem é?
- Não sei. Uma voz feminina. Quer...?
- Passe... Sim? Sim, sou eu...
- Quarto 204. Sobes?
- Mas quem é?
- Sobes?
- Subo...
Fechei a porta atrás de mim e tenteei a escuridão.
- Sou eu quem decide. Não há luz. Vem.
(...)
- Não há BI! Deita-te bem junto a mim.
(...)
- Vem!
Nessa noite, crestei-me em labaredas e brasas recônditas.
Saboreei repetidos e profundos gemidos convulsivos.
Viagem eterna de dolente e sôfrego carrossel.
Adormecemos enroscados num corpo.
Acordei. Regressei ao meu quarto... de mansinho... não fosse despertar a surpresa. Um duche frio. E um táxi até à livraria. Leitura de textos. Diálogos sobre a eventual autobiografia dos conteúdos. Que não. Que sim. Nim...
- Bom dia. O nome?
Dedicava e assinava.
- Bom dia. O nome?
- Sem nome. Conclui a dedicatória que comecei.
" Dei-me toda esta noite..."
E terminei:
"Dou-me todo neste livro. Sente!".
E assinei.
Segui-a. Pessoa entre gente. Perdi-a.
- Bom dia. O nome? Não se importa de repetir?
- Era para oferecer à minha mulher a quem...
Este será o texto que certamente não lerás...
daniel



