terça-feira, 25 de abril de 2006

além tejo


alentejo portugal travelguide

além tejo de hoje
searas campo verde
vermelho recanto papoilas
canto descante dolente
pausado quarto poente

(Cravo dente em carne dada,
...
... um encanto
de
desnudado encantamento)

além tejo verões idos
canto....

(
Requiem de Gabriel Fauré,
camerata vocal,...
... "de poenis inferni")


além tejo posse
beijo...

(Atravesso a ponte sobre o Rio
Tejo, rumo a...)


Vem, meu bem, vem também!


(Este texto encontra-se publicado...

... no meu livro)

segunda-feira, 24 de abril de 2006

mais e menos


eugenio recuenco

passeio ao acaso
encontro inesperado
de soslaio um olhar mais
mais ou menos

percebi que me sentiste
senti...
menos dúvida...
menos e mais

no entanto
fugimos...
...
demais
muito mais

...

sofremos tudo

demais

por que não preferimos o menos?

(Este texto encontra-se publicado...

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domingo, 23 de abril de 2006

palavra


"na ponta da língua"

livros são palavras
são-no num único gesto
uma palavra imagens mil

(Uma imagem não vale mil palavras!)

...

brincos de palavra
são hoje um jogo teu
um jogo de palavras

preciso de ti
preciso de tudo
...
preciso de muito
...

bastas tu
bastas tu toda

basta tudo


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sábado, 22 de abril de 2006

contradição


chema madoz

não sei
se te ame
se te esqueça

sei que te amo
mistério...


sei que te esqueço
escondida...

amo ou esqueço?

(Este texto encontra-se publicado...

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sexta-feira, 21 de abril de 2006

insisto


eugenio recuenco

Já tudo foi dito sobre o amor todo.
Tudo!
Mas eu insisto (mais um que insiste...)!
...
Mas quero repetir o acto de amar
e não só mais um coito...

deixa insistir
até à exaustão
que o amor é loucura que
mata...
...
desespera
sacia...

deixa insistir

até mais não
que no amor
renasço...
...
deslaço

E, se...

Sabes, então, por que insisto...
Acredito que me olhas ao ler-me.

(Este texto encontra-se publicado...

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quinta-feira, 20 de abril de 2006

esquecimento








nicolas de rosabon

Esqueci-me do dia dos teus anos.
Esqueci-me da prenda...
Esqueci-me da...
Esqueci-me.
E entristeci.
Não por te ver triste.
Não por me ter...

Mas...
... de ti.

(Este texto encontra-se publicado...

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quarta-feira, 19 de abril de 2006

a bissectriz


o que se quer
nem sempre será o que se deve
nem sempre será o que se pode

querer
seria uma semi-recta
que partisse de um vértice
ângulo agudo recto ou obtuso
a que um lado se chamaria
dever
e ao outro
poder

não será a bissectriz de vida
porque o ângulo não se divide
em duas partes iguais nem nós
somos um simples transparente
conceito geométrico
nem por um triz


Daniel Sant'Iago

terça-feira, 18 de abril de 2006

sinais


avisos de alarme crus
pintas tintas na carne nua
círculos de trânsito triângulos
vermelhos verdes amarelos azuis
de pontuação pontos de interrogação
acenos insígnias trejeitos vestígios
sinais dos tempos
outros sinais

mas estes
são os sinais de ontem
dobre fúnebre de sinos
ao fim da tarde tristes
em campanário de aldeia
na despedida de corpo de Amiga
dolentes saudosos es pa ça dos
só dois tons de intervalo menor
repetia o primeiro mais em cima
respondia o segundo em tom baixo
assim
talim.... talim.... talão....
talim.... talim.... talão....

sons de meu tempo de menino que
agora repito ridículo sujeito a
gracejos brutescos de gente que
não sente o que eu sinto
de sino
sinais

Daniel Sant'Iago

segunda-feira, 17 de abril de 2006

passo a passo


olhares

... foi de favo em favo
que escravo de abelhas
me deixei adoçar...

... foi de migalha em migalha
que escravo de mesas
me deixei açaimar...

... foi de ninho em ninho
que entre trancas de troncos
me deixei afundar...


Daniel Sant'Iago

domingo, 16 de abril de 2006

caminho no silêncio


chema madoz

na vinha
herdada do avô
na encosta virada a sul
desfolhei parras à cepa
desbaguei cachos engaço
esmaguei bagos em vinho
sumo e óleo de grainhas

difícil passo seguinte
a caminho de silêncios
...

da
vinha vazia de fora
infindo lugar exterior
para vazia consciência
um interior sem limite
....

e neste
mito progresso
sinto regressos vários
...

valem esforços diários
de clarificar caminhos
da interioridade valor

e morrer por amar quem


(Este texto encontra-se publicado...

... no meu livro)

sábado, 15 de abril de 2006

onde o silêncio


"la vigne rouge" de van gogh

naquela encosta virada ao sul
plantou meu avô cepa estendal
de uva moscatel com bagos mil
passa em verde madurecida mel

naquela encosta virada ao sul
...

naquela encosta virada ao sul
...
mora o silêncio
...
onde não pára
nada
nem tão pouco
a ideia do
nada

nada de nada

anda de mão dada comigo
até à cepa de moscatel
perdi de vista

(Este texto encontra-se publicado...

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sexta-feira, 14 de abril de 2006

sofrimento


in fotogigital 13

Bêbado, assassino,
incólume canino na prisão,
da puta filho e marido cabrão.

Devora-me a ânsia de vingança.
Quero-te retalhos de bisturi:
ali, torresmos a esmo...
brasas, aqui, ao lume...
cinzas negras, aí...
tragadas por cardume!

E, na tua ressurreição e do inferno,
que sejas maldito para a vida eterna !

Destino fatal?
Não há destino fatal!
Há a-bu-so-da-li-ber-da-de!

Lugar, tempo errado, coincidência?
Não-há-co-in-ci-dên-ci-as!
Por que não o teu filho mas sim o meu?
Talvez, então, percebesses que não há erro
no lugar, no tempo e na coincidência.

"Os meus pêsames..."
"Sentidas condolências..."
Não vos proíbo o falar e o choro!
Mas, para quê essas palavras surdas,
moucas, em lágrimas tão ocas?

Se eu chegar a muito velho,
quem me vai alisar as rugas,
aparar a baba,
mudar as fraldas?
Tu? Ou tu? Talvez tu?
E a ti, muito velho também,
quem te limpa o cu?
Alguém?


... estou exausto...
... dá-me um comprimido...
... quero adormecer bem fundo
e
acordar abraçado ao meu filho
porque
as saudades venceram a
vida

daniel

quinta-feira, 13 de abril de 2006

o peso dos sons


chema madoz

pesar
na palavra o peso do som
será tarefa de louco internado

seja

estende a mão esquerda e segura
na palavra amor um leve esvoaçar
de fofas...

estende a mão direita e segura
na palavra amor um furacão de paixão
sobre...


Balanceia as duas mãos.
Palavras não têm peso?
...

Gosto do teu gosto,
minha loucura,
minha louca!


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quarta-feira, 12 de abril de 2006

ais


chema madoz

apetece-me ser deusa de tons
para uns ais palavra escrita
preciso do outro louco de ti
para jogar o jogo do tom que
a palavra escrita ai não tem

o brinquedo é ai interjeição expressão
...
primeiro o ai-de-suspiro
...
isso assim

agora o ai-de-dor
...
isso assim

por fim um ai-de prazer
...
pára pára pára páára jáá
isso assiiim ...
sim acabou o jogo do tom

fim


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terça-feira, 11 de abril de 2006

surpreendeste-me


eugenio recuenco

Surpreendi-te?

Causei-te surpresa...
Provoquei-te com algo inesperado...

Fui imprevisível ou desconcertante?
Apanhado em flagrante?

Não dei por isso.
Por que não o confessaste logo?
Tinha-me sido mais fácil perceber o motivo...
Bastava atar o meu acto ou palavra ou...
ao teu olhar, esgar ou sábio parecer...

A surpresa foi pão ou pedra?
Se foi pão estava fresco e quente?
Se foi pedra que seja construção.
Se for construção que seja casa.
Se for casa que seja mansão.

Surpresa só surpresa... não!
Quero lágrimas ou sorriso.

E, agora, surpreendi-te?


Daniel Sant'Iago

segunda-feira, 10 de abril de 2006

huamor


chema madoz

(Verbete para entrada no léxico impróprio
da Língua Portuguesa. Palavra nascida já
no século XXI...


Huamor. s.m. Palavra composta por
aglutinação (De humor+amor).
Comportamento...

és instrumento de sedução q.b.
sémen de humor em amor

és pitada q.b. de sal...

és dedada q.b...

és piropo...

és palavra parida...
és palavra regada...

serás palavra resistente à minha morte...
porque fruto maduro...
porque raiz...
nos silêncios da minha eterna ausência sentida



(Este texto encontra-se publicado...

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domingo, 9 de abril de 2006

talvez em chinês (II)


martin roemers

Lau, filho mais novo do velho Chong,
seduzido pela fogosidade de uma das
éguas selvagens, não resistiu. Montou-a.
Primeiro a passo seguido de trote.
Breve o galope. Quis domá-la. A queda
inevitável. Lau partiu uma perna.

E os tais vizinhos, todos-todos, os mesmos...
...
fitou-os imóvel e murmurou:
- Talvez... talvez.... talvez!

Nesses tempos, a China...
...
E o velho Chong, afagando a face ao filho,
fitou-os imóvel e murmurou:

- Talvez!


Obrigado, Chan, neto de Chong e
filho de Lau, meu amigo chinês de
Macau.
Até sempre.


(Este texto encontra-se publicado...

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sábado, 8 de abril de 2006

talvez em chinês


eugenio recuenco

Era muito velho o pobre Chong.
De precioso, muito precioso,
o bem mais precioso e único bem
sem preço,
possuía um cavalo, ganha-arroz
de cada dia.

Pela calada da noite, um dia...
...
manifestando a sua mais profunda
mágoa.
E o muito pobre velho Chong,
com o olhar espelho do arrozal
raso de água, fitou-os imóvel e
murmurou:
- Talvez!
. . .
E o velho Chong, menos pobre, com o olhar
espelho dum dia azul feito céu a acariciar
a garupa do cavalo e as ancas das seis
éguas selvagens, fitou-os imóvel e
murmurou:
- Talvez... talvez!

Até amanhã, meu velho amigo Chong.


(Este texto encontra-se publicado...

... no meu livro)

sexta-feira, 7 de abril de 2006

a quente


eugenio recuenco

Abraso, vermelho de sangue e raiva.
Escrevo a quente como se malhasse em ferro à boca do fole.
Mas, a palavra martelada...
...
Escrever a quente é malhar em ferro frio:
parece que dobra a preceito...
e, de repente, quebra sem jeito...


(Este texto encontra-se publicado...

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quinta-feira, 6 de abril de 2006

um guia


eugenio recuenco

Quando o meu olhar é o guia dos
teus dedos...

Daniel Sant'Iago

quarta-feira, 5 de abril de 2006

ser natureza


mãe natureza

seixo rolado da ribeira do sabor
partia e desnudava pinhão torrado
em penedo duro à sombra do chorão
naquele momento encharcado de suor

eu e o meu periquito-de-ombro
acolhidos naquela teia global
debicámos sementes e frescura
numa síntese perfeita natural
não ambiente meio mas inteiro

único ser pensante
senti-me
nem rainha nem centro
total interdependência
seixo chorão ribeira penedo e pinhão
pelos lados para cima frente trás e dentro
cúmplice na salvação de todos os seres


Daniel Sant'Iago

terça-feira, 4 de abril de 2006

vai à fava


eugenio recuenco

- Fazes-me aquilo? - insistia ele.
- Não insistas! - repetia ela.
- ...
- Dá-me vómitos! Engasgo-me! - repetia ela.
- Só uma vez... - insistia ele.
...
...eram favas...


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segunda-feira, 3 de abril de 2006

saber esperar


ron mueck

saber esperar
hoje cá agora aqui
neste já momento futuro
nestes dias alucinantes
limo verde escorregadio

saber esperar
é o caminho mais seguro
para viver a esperança
desde que se saiba o que
se quer e se espere com
sabedoria


Daniel Sant'Iago

domingo, 2 de abril de 2006

vestígios


chema madoz

traços de lábios em batom vermelho
retraços de palha na camisola de lã
tracejado aroma de suores e perfume

vestígios do passeio febril desta tarde
vestígios testemunhas dum amor proibido

um medo atroz que esses vestígios te
façam sofrer e se assim for vou deixar
de te ter para não mais te magoar


Daniel Sant'Iago

sábado, 1 de abril de 2006

elevador do carmo


eléctrico, in FotoDigital 13

sentaste-te
mesmo à minha frente num elevador
do carmo sorrias leve a mente sem
esforço a olhares por dentro

cruzaste
o brilho verde...

perguntaste

ao porquê do meu sorriso...

desapareceste

por entre os carros...

renasci para um novo sorriso
enlevado sentido sem resposta
nem dor definitiva


(Este texto encontra-se publicado...

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sexta-feira, 31 de março de 2006

profissão de fé


chema madoz

Sexta-feira da quaresma.

Renunciar
será confirmar o não ou
negar o sim?

Renuncias à paixão?
Não renuncio!
Renuncias ao prazer?
Não renuncio!
Renuncias ao silêncio?
Não renuncio!

Renuncias ao desprazer?
Sim, renuncio!
Renuncias a dar razões?
Sim, renuncio!
Renuncias às certezas?
Sim, renuncio!

Renunciar é sinónimo de ser feliz!
Renunciar é responder sim ou não!

Mesmo na quaresma desta sexta-feira.


Daniel Sant'Iago

quinta-feira, 30 de março de 2006

flores


chema madoz

para o dia das mentiras
dá-me um ramo de flores
de rosas ou túlipas negras

terei o cuidado de as
embeber em vinho e de as
entronizar em jarra de cristal

no dia das mentiras ao
acordar agasalharei as pétalas

queimarei os caules os espinhos


e partirei

Daniel Sant'Iago

quarta-feira, 29 de março de 2006

ser mais livre


chema madoz

estreito o carreiro da falésia
do rio douro
em ondas sinuosas
percorrido como sonhado nessa
madrugada sem sono

o sonho cumprir-se-ia...


um limite apenas
não chorar...

nesse dia
fomos mais livres...

mais livre

gritei do alto da falésia

assustou-se a águia...

no regresso estava tudo como dantes


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terça-feira, 28 de março de 2006

ser pessoa


nuno ferro, olhares

acolhi-me à sombra dos pinheiros mansos
colhi pinhões torrados...
desfolhei o olhar...
recolhi-me...
fundi-me em silêncio...
inteiramente corpo num espírito inteiro
e
renasci pessoa

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segunda-feira, 27 de março de 2006

ser feliz


aloísio brito, olhares

todos queremos ser felizes
não somos seres felizes

a felicidade não existe

sondei...
encontrei
momentos fugazes...
momentos tenazes...
...
se sou feliz?
não sou!
tenho momentos felizes
em silêncio
com prazer
em mim


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domingo, 26 de março de 2006

és uma besta


in fotodigital 13, "estrela"


dizias tu primo tibúrcio
meu urso
que a tua agenda electrónica...
último modelo da marca sanguessuga (sic)
... estava prenha de adresses e numbers
de senhoras donas e de meninos
bonitos...
que olhasse...
...
Tu não sendas messages destas?
Como se não tenho disso?
Estás fora de moda... Coitado!

Ó pá! Não me lixes!
Não me enfades!
Não me ofendas!
Não me fodas!


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sábado, 25 de março de 2006

riscos


eugenio recuenco

deixa correr o risco de um beijo
beijo que...
... de um toque
toque que...
... de um grito
....contido
...
corridos os riscos em lugar isolado
deixaremos todas as dúvidas de lado


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sexta-feira, 24 de março de 2006

aleg(o)ria


chema madoz

Anda cá, meu rapaz, anda cá!
...
Que se passa? Terás sarna?
Não te satisfaz esse osso?
...
Ah! Não é osso! É plástico?
É brinquedo tão eficaz...
...
Brinca, trinca e afinca
no osso esse dente roaz!
Mas...
Que voo! Zzzz
zzzás-catrapás-pás-pás!
...

Dá cá o osso, dá!
Toma! Vai buscar, vai!
Busca, busca! Dá cá ao dono!
Isso! Isso! Menino bonito!
Apetecível vida de cão!
Não é, meu velho
daniel, não é?

(Este texto encontra-se publicado...

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quinta-feira, 23 de março de 2006

diferente


eugenio recuenco

és diferente

és abrigo dum-não-sei-quê
bisturi cinzel ou laser
que...
és carne-e-osso
mas...
talvez os meus olhos
sejam palavras que
só tu lês


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quarta-feira, 22 de março de 2006

o meu sorriso


chema madoz

confuso
chamei a terreiro
de dentro de mim
quem pensa e quem sente

pedi...

quem sente ouviu e sorriu
quem pensa calou e fugiu
...
agora entendo que o sorriso
sou eu


(Este texto encontra-se publicado...

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terça-feira, 21 de março de 2006

21 de março



hoje és primavera

renasceste sob mim
nesta manhã de maio
tronco de árvore em arco
coxas e dentes cerrados
marcas de lábios gemidos

debruçado por ti
encharcado em fios suados
fatigado na fadiga cansada
lascivo na carne serena

hoje és poesia

moldado nos braços e ouvido
descrevi sentidos de ternura
montanhas de neve eterna
regatos frescos de verdura
acariciei em círculos ternos
estreitei dedos afilados
aplanei mãos em palmas
torneei faces rosadas

olhei-te
terias adormecido
calei e deixei de te roçar
de novo um sorriso e repetiste

sonhei com o paraíso

respiração profunda
recostei-me no teu braço
adormeci

nesta manhã
nasceu a primavera e uma árvore
e ao meu bom dia
saudaste
fértil manhã
de vinte-e-um de março

daniel

segunda-feira, 20 de março de 2006

roído de amor

c
hema madoz

como é possível
ser roído pelo amor

se...
silêncio mudo
da tua sinfonia?

(Este texto encontra-se publicado...

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domingo, 19 de março de 2006

a vida ao segundo




tic tac
tac tic
geme mãe
grita puto
muito tempo
tempo muito

tac tic
tic tac
ri-te mãe
...
xeque mate
chique fraque
...
traque
pum


(Este texto encontra-se publicado...

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