
eugenio recuenco
em mim
as lágrimas movimentam-se em círculo
de dentro por fora para dentro de novo
de mim
renascem na hum(an)idade dum saco
desatam nós de angústia no estômago
afrouxam dedos em garra entranhados
enfraquecem a fúria irada das saudades
afloram renitentes à saída dos olhares
cintilam e lavam num baile mandado
transbordam salgadas pingo em gota
desaguam nos lábios áridos
dessalgam-se nas papilas
e regressam pura água
ao saco das lágrimas
a mim
garantiu-me a dor
ontem à noite
ao serão
à saída
daniel










