o que lês não é o texto
é o contexto
no texto
duas palavras escritas somente
baratinhas e simples
sementes
no contexto
não há imagem que te motive
Onde um amplo silêncio de um templo imenso
onde ecoasse o texto de duas palavras lidas?
no texto
não escutas som nem tom
não sentes toque nem olhar
no contexto
preciso dos teus sentidos
preciso de ti
toda
da tua boca
para que as leias alta a voz entoada
do teu ouvido
para que as escutes na tua leitura
do teu tacto
para que te entreabras e te deixes ensopar
no silêncio do tal templo imenso
da tua imaginação
para que me cries presente nos sentidos
Agora... sim!
Lê,
como te pedi,
as duas palavras que escrevi para ti...
És linda!
daniel
terça-feira, 4 de julho de 2006
segunda-feira, 3 de julho de 2006
diálogo três...

foto de chema madoz
- Mãe...?
- Sim...
- Diz-se pintas?
- Sim...
- Pintor, pinturas e... pintas!
- Não! Tintas!
- Porquê?
- É assim...
- Eu trouxí tintas da escola...
- Não é "eu trouxí".. É "eu trouxe"!
- Porquê, mãe?
- Porque... porque... não sei explicar-te...
- Porquê, mãe?
- Deixa ver se consigo... Como tu as palavras
nascem e crescem e vivem... Percebeste?
- Parece que sim... É como as minhas duas fotografias?
Numa sou bebé. E nesta... aqui... tenho o dedo no nariz...
daniel
domingo, 2 de julho de 2006
anormais irregulares

foto de chema madoz
o irregular é a não regra
é a excepção à regra
é o anormal
e
o anormal não é conveniente
nem simétrico nem uniforme
é irregular
irregular ou anormal
é o pavimento ou o polígono
coisas
irregular ou anormal
é o carácter ou o comportamento
de pessoas
entre tantos anormais
também há as palavras
sofrem de anormalidade
como os verbos irregulares
- Ouves?
- Ouvo!
- Não é ouvo. É oiço! Ouviste?
- Oici!
normal será toda a mente flexível
sensível às regras e às excepções
mente anormal é excepção à regra
é logica e normalmente anormal
é um normal animal irracional
daniel
sábado, 1 de julho de 2006
o aeroporto e o feitiço

Que feitiço invade um aeroporto à chegada e à partida?
Que feitiço afoga saudades e veste desejos?
Que feitiço acama lágrimas sob sorrisos?
Que feitiço finge nas lágrimas alívio ?
Que feitiço molha os beijos?
Que feitiço no aeroporto?
Que feitiço?
O aeroporto não vive sem gente!
As pessoas são o feitiço!
Tu e eu,
esta manhã,
eram cinco...
daniel
sexta-feira, 30 de junho de 2006
monstros
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Palavra, meu amor!

foto de eugenio recuenco
Palavra, minha querida!
Recordas-te de quando te escutei pela primeira vez?
Senta-te nos meus joelhos...
Foi no ventre da minha mãe quando me notou um
ser-muito-dela e me chamou meu amor!
Como esperneei e a abracei!
Que alegria escutar-te na voz e nas mãos
da minha feiticeira na festinha acariciada
na sua pele e na minha cabeça!
Garanto-te que te senti assim... pela primeira vez!
Minha querida palavra!
E nunca mais me abandonaste!
Nunca... jamais!
Se rouco...
... chamava-te olhar ou gesto.
Se cego...
... escutava-te em sons e tons.
Se surdo...
... contemplava-te por dentro.
Se paixão...
... aparecias sedutora e provocante toda
vestida de negro sobre-salto alto-fino decote
generoso de alças preguiçosas descaídas sob longos
cabelos verdes com o azul no olhar...
Se apressado ou lento...
Se obsceno ou contido...
Se triste ou alegre...
Se irado ou dorido...
Se... e se... e se... e...
...doavas-te em dádiva doçura.
Querida palavra minha!
Pertinho do meu último ai...
... já... logo... amanhã... mais tarde... quando for...
...segreda-me num sussurro murmurado...
Daniel, meu amor!
Sou o alfa e o omega da tua vida!
Sou a Palavra, a tua eternidade!
daniel
quarta-feira, 28 de junho de 2006
... três pontos... só três...

foto de sophie broadbridge
são
mudas palavras contidas
sinais repetidos sem espaços
são
pausa em melodia sem pauta
interrupção e hesitação
suspensão para surpresas
tuas dúvidas e timidez
pastos para as palavras
aguilhões da tua imaginação
são
só três
só três pontos
escritos duma vez
sinal de essências
sinal com pontos
sinal de pontuação
as reticências
se soubesses o que eu quero...
se soubesses o que eu quero escrever...
dizias-me o que são estes três pontos...
dizias-me que palavras deveriam ser...
três...tão pouco...
três pontos...
tanto para escrever...
tanto num quase nada...
daniel
terça-feira, 27 de junho de 2006
quando te contemplo...

foto de claúdio lopes
se te observo
sinto-me servo duma obsessão
laçar abraço nos teus braços
atracção pelo belo palpável
côdea de pão escasso
se te comtemplo
sou contigo templo e oração
num terno silêncio interno
limbo de inverno inferno
pão de forno de lenha
tão bela se te observo
tão meiga se te contemplo
daniel
segunda-feira, 26 de junho de 2006
Um olhar com as mãos...

foto jean perie
venda negra vedou-me a luz da tarde
fez-se noite mais escura que o breu
olha-me com as mãos
só roupão de linho
longos cabelos seda
olhos de sumaúma
ar fresco ar quente ar de narinas
grossos lábios em gozo de sumo
dedos que riscam cotornos
dedos que ondulam em dunas
dedos que derrubam pinos firmes
mãos que traçam curvas de frutos
mãos que sulcam leiras de arados
mãos que travam em atalhos ocultos
deixa
agora eu
minhas mãos guiam teus dedos
e como os meus dedos olharam
o que jamais meus olhos viram
lagos de neve
tremuras de terra
vulcão em convulsão
tempo indefinido a espaços repetido
lavas renovadas
tremores de serra
lassidão de mares e marés
e no escuro breu
dedos entre laços
entrei em contemplação
daniel
domingo, 25 de junho de 2006
diálogo dois...

foto de ludovic goubet
- Segura que escorre...
- O que é? Gelo?
- Sim. Uma lágrima gelada...
- Lágrima? E gelada? Estás a brincar...
- Não! Encontrei-a hoje, de manhã...
- Isso é gota gelada... leitosa!
- Será... Água salgada ou leitosa... mas lágrima!
- Onde estava? Na arca congeladora?
- Não. No nosso quarto...
- No quarto? No nosso? Brincas...
- Não brinco! Foi da noite tão frígida...
- (...)
daniel
sábado, 24 de junho de 2006
olhar para carta de amor

fotografia de didier-louis
roças o anil do olhar
no meu
um prado febril
eu
cravo fundo
num mundo vermelho
fornalhas de linho
tu
coras
cerejas e amoras e ginjas
do olhar que em mim beijas
eu e tu
tela única
pincel e tintas
para cores absinto
para pomares famintos
para naturezas em flor
a carta de amor
que nunca lerei
daniel
sexta-feira, 23 de junho de 2006
amor bandido...

fotografia de rob sloane
amor clandestino
de encontros marcados secretos
de minutos contados ao segundo
de dois corpos fundidos em nenhum
de murmúrios entre sussurros
de gargalhadas com sorrisos
de um quarto alugado em motel
de sujos subúrbios clandestinos
de prisão entre quatro paredes
amor bandido
do lado de fora da janela cerrada
da porta a sete trancada à chave
nem nada nem ninguém nem os mortos
tango maldito da noite de fumo e copos
um bésame mucho como si fuera la última
amor clandestino
de milagres de conto de fadas
de dois amantes agrilhoados
de pesadelos e de amor e uma cabana
privados de ar puro das searas e ruas
condenados ao céu e ao inferno
quer acabem de vez
quer sigam em frente
amor bandido...
daniel
quinta-feira, 22 de junho de 2006
uma laranja sobre a mesa...
quarta-feira, 21 de junho de 2006
raio de luar em gota de orvalho
terça-feira, 20 de junho de 2006
Mais poder às palavras...

fotografia de eugenio recuenco
"Público online" de ontem.
Cito:
"A leitura de palavras relacionadas com aromas
activa regiões olfactivas do cérebro.
(...)
Alho, incenso, urina, limão, suor, alfazema..."
Se bem percebi estes cientistas...
lemos "alfazema" e sentimos-lhe o aroma...
Isto é...
a semântica construída com a linguística
e o sensorial.
Novidade?
Parece-me bem que não...
Vamos experimentar?
Ora, limitemo-nos aos restantes exemplos
e recordemos o cheiro
a alho...
a incenso...
a urina...
a suor...
Não! Essa não vale!
Basta o último...
Que tal?
Deixem-me rir!
daniel
segunda-feira, 19 de junho de 2006
domingo, 18 de junho de 2006
meia-palavra basta...
sábado, 17 de junho de 2006
o cão e as curvas à chuva

autor desconhecido
ontem sentia-me fome de cão rafeiro
bastava-me um osso em curva de lama
que anúncio foi a tua chegada
troaste faiscaste inundaste
trovões e raios e coriscos
cortinas de água opaca
sob trovoadas de luz
ó chuva
ensopada a alma
bramaste
escuta cão rafeiro
só vim lavar as curvas do monte
para que o sol nasça mesmo molhado
o sol renasceu
pressinto-o na luz do dia
embora encharcado e sumido
passeia-se em boa hora por aí
pelas curvas sulcadas pela chuva
e enxugando as vidraças chorosas
daniel
sexta-feira, 16 de junho de 2006
A fábula do lobo esfaimado

eugenio recuenco
Era uma vez um lobo esfaimado
pela neve que cobria, por completo,
a serra e que o separara da loba a
quem fora sempre fiel.
Cada dia era dia de mais fome.
Até que, numa madrugada de delírio,
desceu da toca ao povoado.
Parou num galinheiro bem frequentado.
E, dentre os galináceos, escolheu uma
franga torneada, tenrinha, tentadora.
Entrou pelo buraco da rede.
E comeu-a sem a depenar.
Garantiu-me o lobo, já saciado, com
uma pena espetada nos dentes, a um
canto dos beiços:
- Que saborosa, Daniel, que tenrinha!
Se não fosse a fome...
- Acredito, lobo, acredito! Foi a fome...
os lobos devem ser alimentados quando
as ervas são neve
ou
os lobos só comem frangas quando a fome
os separa da loba
daniel
Se te apetecer, troca o sexo ao lobo, à loba e à franga.
quinta-feira, 15 de junho de 2006
não me matem as palavras... eu morro

chema madoz
recorro aos bolsos
nada
nem o cotão nas bainhas do forro
nada de nada
do avesso nem o ar lhes resta
nem o nada mesmo
socorro-me do que sou
só palavras num caos de babel
a cama dorme com o vazio
o cavalo corre com o navio
a lógica uma batata
o beijo um biscoito
o mil feito num oito
o calendário sem data
mas se nada tenho para dar
sirvo-me das palavras que sou
mas
não me matem as palavras
eu morro
daniel
quarta-feira, 14 de junho de 2006
sintaxe de um beijo
terça-feira, 13 de junho de 2006
da nódoa à seda ou o tempo da espera

autor desconhecido
Em lençol de linho do tear dos nossos dias,
gravaste uma nódoa.
Resistente ao mais poderoso dos detergentes,
restava, ainda, a diminuta área circunscrita,
empalidecida e entranhada no tecido.
A nódoa!
Recortei com uma amolada tesoura de pontas o
rebordo da tua nódoa. Sobrevivia a nódoa num
buraco em arco.
O buraco da nódoa!
Estampei pedaços de linho novo no buraco
deixado pelo corte da nódoa. Sobrevivia
o arco dum buraco remendado.
Os remendos da nódoa!
Quanto tempo precisou o bicho-da-seda
para alongar os fios do casulo! Uma
meada bastou para tecer o lenço de
seda natural que nos descobre!
Onde os remendos, o buraco e a nódoa?
Novo o lenço e de seda natural!
daniel
segunda-feira, 12 de junho de 2006
garantiu-me a dor....

eugenio recuenco
em mim
as lágrimas movimentam-se em círculo
de dentro por fora para dentro de novo
de mim
renascem na hum(an)idade dum saco
desatam nós de angústia no estômago
afrouxam dedos em garra entranhados
enfraquecem a fúria irada das saudades
afloram renitentes à saída dos olhares
cintilam e lavam num baile mandado
transbordam salgadas pingo em gota
desaguam nos lábios áridos
dessalgam-se nas papilas
e regressam pura água
ao saco das lágrimas
a mim
garantiu-me a dor
ontem à noite
ao serão
à saída
daniel
domingo, 11 de junho de 2006
personagem entre personagens

ivo mendes
fui
personagem entre personagens
num espaço e tempo qualquer
pedaços de mim
ponto de fuga
de aluguer
fui
personagem entre personagens
vida própria e outras vidas
realidades mentidas
liberdade assumida
de marioneta
fui
personagem entre personagens
sal suado sob focos atentos
pausas ditas em melodias
sol e sonhos por cumprir
fingidor de estrelas
de água
fui
personagem entre personagens
verdade de logros com rosto
necessidade de integração
dificuldade de afirmação
de emoções
fui
personagem entre personagens
um autor de afectos
entre aplausos e bravos
um actor de carinhos
entre sorrisos e muito bem
fui actor
fui outro
foi teatro
sou o mesmo mas mais feliz
daniel
sábado, 10 de junho de 2006
e a propósito... para quê promessas se bastam...

chema madoz
para quê as promessas
de aparato e pompa de palácios em metal
se me bastam
as cabanas de madeira de pinheiro bravo
empoleiradas na falda sul das montanhas
ali e além
para quê as promessas
de jardins zoológicos de animais em jaula
se me bastam
os papagaios estrelas de guita e cana seca
embrulhados em papel de delírio e fantasia
além tão longe
para quê as promessas
de mulheres de silicone de feiras e calendário
se me bastam
a sabedoria e as garantias da raposa matreira
repara que os cachos verdes em alta parreira
só servem para ser tragados com olhos de ver
aqui ao perto
daniel
sexta-feira, 9 de junho de 2006
mais que o impossível
Um doce
Tu em mim.
As tuas palavras passeando o meu corpo.
Isso... assim...
As palavras beijam, os lábios sorriem sem malícia.
As mãos tacteiam o efémero momento de um prazer: ler-te.
Tu e o texto. Aí.
Eu... aqui em mim sem pressas.
Assim...
Só (mente).
"ana"
Nota
Este um "doce" oferecido.
Transcrevo-o.
Não por mim. Por "ela"!
Chamar-se-á "Ana"... Só(mente).
Só? Só com um ene? Somente?
Será que mente?
Se a outra "Anna" ainda existisse...
assiná-lo-ia... se lhe pertencesse!
Assim...
daniel
As tuas palavras passeando o meu corpo.
Isso... assim...
As palavras beijam, os lábios sorriem sem malícia.
As mãos tacteiam o efémero momento de um prazer: ler-te.
Tu e o texto. Aí.
Eu... aqui em mim sem pressas.
Assim...
Só (mente).
"ana"
Nota
Este um "doce" oferecido.
Transcrevo-o.
Não por mim. Por "ela"!
Chamar-se-á "Ana"... Só(mente).
Só? Só com um ene? Somente?
Será que mente?
Se a outra "Anna" ainda existisse...
assiná-lo-ia... se lhe pertencesse!
Assim...
daniel
quinta-feira, 8 de junho de 2006
texto nu e cru

samantha wolov
O
Texto nu e cru este sem leitura outra que não seja minha. Texto nu e cru que nunca pensei escrever para ser lido aí. Sem entrelinhas nem figuras de estilo nem outra solução. Para adultos com reservas que usam bolinhas vermelhas. Palavras de sentido único directas ao alvo sem rodeios.
Envolve-me docemente.
Que os teus braços sejam abraço envolvente.
Sem pressas manso com vagar devagar de-va-ga-ri-nho.
Isso. Assim.
Mão na nuca com dedos vincados que esmaguem meus lábios bem abertos contra os teus em oferta. Que as línguas se toquem, se entrelacem e deslacem nossos corpos.
Isso. Assim.
Encosta-te, enrosca-te e sente o que endurece, em mim e em ti, sob botões arrancados à força, num repente alucinado. Os lábios beijam. Os dentes mordem.
Isso. Assim.
E, chegados aos ouvidos, aflorados os lóbulos pelos recantos mais recônditos, que os lábios sussurrem, murmurem, repitam e gritem, sem receios nem temores nem medos nem terrores de que as paredes oiçam e os vizinhos estremeçam...
Isso... Assim... Em uníssono...
- Fode-me!
Isso... assim...
Nus e crus.
O texto...
Eu e
tu.
(Este texto encontra-se publicado...
... no meu livro)
quarta-feira, 7 de junho de 2006
mulher... meu mar
terça-feira, 6 de junho de 2006
saídas de um beco sem saída
chema madoz
da fornalha
de um beco sem saída
o regresso à frescura
é possível
se
retomar
o labiríntico caminho da ida
ou
anulado
fingir-me vivo e morrer pela tortura
da fome e da sede
ou
içares-me pela corda
lançada da muralha
pela fenda de luz
que abriste
já não sinto forças
já não detenho o tempo
só me resta a ternura
ergue-me
daniel
segunda-feira, 5 de junho de 2006
diálogo um...

weetcharade
- Olha a minha mão.
- Sim...
- Que vês?
- Nada!
- Olha bem...
- (...)
- Nada de nada?
- Não tens nada na mão!
- Pele?
- Sim...
- Uma teia de linhas?
- Sim...
- Tonalidades?
- Sim...
- Quais?
- Claro e moreno escuro!
- Dedos?
- Claro!
- Quantos?
- Cinco!
- E a forma?
- Em concha...
- Movimento?
- Sim. Um dos indicadores...
- Então? Que sentes?
- Que me acolhes...
- Mais?
- Que me chamas...
- Então?
- As tuas mãos não têm. São.
daniel
domingo, 4 de junho de 2006
... e ...
sábado, 3 de junho de 2006
... o texto que ela não lerá...

eugenio recuenco
Noite morna de sábado, pelas onze e meia. Junho.
Um recanto mais iluminado dum bar de hotel. Música
calma em fundo. Retocava escritos para domingo, na
sessão de autógrafos.
- Quer atender?
- Para mim?
- Sim.
- Quem é?
- Não sei. Uma voz feminina. Quer...?
- Passe... Sim? Sim, sou eu...
- Quarto 204. Sobes?
- Mas quem é?
- Sobes?
- Subo...
Fechei a porta atrás de mim e tenteei a escuridão.
- Sou eu quem decide. Não há luz. Vem.
(...)
- Não há BI! Deita-te bem junto a mim.
(...)
- Vem!
Nessa noite, crestei-me em labaredas e brasas recônditas.
Saboreei repetidos e profundos gemidos convulsivos.
Viagem eterna de dolente e sôfrego carrossel.
Adormecemos enroscados num corpo.
Acordei. Regressei ao meu quarto... de mansinho... não fosse despertar a surpresa. Um duche frio. E um táxi até à livraria. Leitura de textos. Diálogos sobre a eventual autobiografia dos conteúdos. Que não. Que sim. Nim...
- Bom dia. O nome?
Dedicava e assinava.
- Bom dia. O nome?
- Sem nome. Conclui a dedicatória que comecei.
" Dei-me toda esta noite..."
E terminei:
"Dou-me todo neste livro. Sente!".
E assinei.
Segui-a. Pessoa entre gente. Perdi-a.
- Bom dia. O nome? Não se importa de repetir?
- Era para oferecer à minha mulher a quem...
Este será o texto que certamente não lerás...
daniel
sexta-feira, 2 de junho de 2006
... e se os lábios...
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