"how it all began" de richard lindner Hot, no mínimo, a tarde. Suores! A solução fresca abriu-me um pub. No seio do Soho. London!
Ao corpo... arremessei-o sobre um banco de vinho. A cor. Aos cotovelos... espetei-os no negroda madeira. O tampo. Aconcheguei a testa nas palmas das mãos. E fiquei-me por ali... Os olhos semi... Cerrados. ...
- Drinks? What do you eat?
Uma vozrouca,loura e húmida... (... drinks...) ...segredava, lasciva, ao meu ouvido direito... (... eat...) ...por entre cabelos soltos, colados nos lábios. (... como... bebo...) Uns braços esguios serpenteavam-me o pescoço. (... claro que mordo...) Sob a camisa molhada acariciavam todos os dedos. (... claro que chupo...) Uns peitos duros esmagavam-me as costas frias. Decidi comer... - Te! Tão português o meu desejo louco... - The? So british a dúdiva rouca... - Sorry! Tea! Please... An iced tea! Tão pouco convincente a inflexão gelada...
Terá sido, tão só, um lapsus linguae em domínios linguísticos de Sua Alteza, The Queen!
diferentes só mais lentos só mais activos meninos como os outros diferentes
todos os seis sentidos nos dedos nas palmas das mãos
seis sim porque cinco mais um
burros vermelhos de barro verdes vacas de plasticina anjos com fimo nas asas josé em pasta de barbas de papel maria de ráfia serena gruta do monte de cartão canelado
os meninos chamavam-se jesus de carne e osso cada um
gritava o olhar no sorriso das mãos chorava o sabor na bigorna do ouvido pingava o aroma nos berlindes dos ourives filigranas dos seis sentidos amálgamas de amor e arte amansadas as massas na mesa tão mansas de tão amassadas tons e sons no toar dos sinos
assim nasceram mais estrelas no firmamento numa sala de aula
"embraceable you" ruth rosengarten natal de 2006 - II
não me prendas com presentes nessa noite enlaça-me as mãos soltas dos laços que me prendem ao frio de vinte e quatro para vinte e cinco graus abaixo de zero
aquece-me brasido de lareira em dezembro sem natal presente que me prenda
A Utopia é Thomas More. Uma ilha. Tão imaginária. A utopia é um ideal. Um projecto. Um modelo. Um plano. A utopia é o inatingível. O impraticável. O inexequível.
A utopia é o não lugar.
A utopia é a sedução. A quimera. A fantasia.
A utopia é um caminho. A caminho dum infinito.
Uma caminhada até ao limite do ser. A sedução do caminho para a utopia.