domingo, 15 de abril de 2007

pausa - breve


"pause" de abraham brewster

Imponho-me uma pausa. Que silêncio tam_bém
soa. Sete dias sem brincar.

Imponho-me um código. De conduta. Neste blog.

Imponho-me regras. No rasto de Jimmy Wales
e Tim O'Reilly. Aqui!

1. pausa - breve
Este blogueiro assume a responsabilidade dos
textos e dos comentários inseridos no "Brinco
de Palavras".

2. pausa - semibreve
(amanhã)

Daniel Sant'Iago

sexta-feira, 13 de abril de 2007

querer ouvir







só ouves o que queres

está bem

vou querer antes de ouvir

preferes?


Daniel Sant'Iago



"jovem de cabelos compridos"
lasar segall

quarta-feira, 11 de abril de 2007

a caminho




a morte
e a vida
não se opõem

o menino
vive entre
a vida e a morte

A caminho, meu rapaz!

*
Não é a morte da lagarta

a vida da borboleta?

Daniel Sant'Iago

*
"wind" de steven meyers

domingo, 8 de abril de 2007

amor branco


"maternidade"
lasar segall


Dois se
s
segredaram-se,
seduziram-se
e

semearam-se
num ser!

Nasceu um menino
num Domingo de Páscoa!

Natal!


Daniel Sant'Iago

sábado, 7 de abril de 2007

amor azul




cola-me ao teu colo
tão
quente

...

de
amante

...

anjo-réu
...

ombro meu

colo ausente


de josé rodrigues
in "amoroso" de josé viale moutinho


(Este texto encontra-se publicado...

... no meu livro)

quinta-feira, 5 de abril de 2007

amor roxo


"por mais que procurem 1"
de benedita kendall


Francisco enxugou a face ao jornal.
Acolhera-se a casa. Sofá da pele.
A própria.
Regressara da redacção.
Jornalista de pasquim.
Só.


“Estou cansada!”


Claro! A trabalho igual, cansaço igual!

Que chatice! Cansado por cansado,
estoirava na cama. Adormeceria de lado.

De
frente. Caído por baixo. Saído de cima.
Importa?


Mas não!

Rodeado de nada, pegou no jornal.

E leu-se...

Uma fotografia nítida.

De bruços. Saias subidas.
“Morta por ciúme!”

Macabro? Não! Uma cabra!
Bastava a legenda
e o título.

"Jornalista..."
Riu-se!
"Profissão
de puta!"

Olhou a mulher. A sua?

Apetecia.
Subiu a mão quente.
Lenta.

Resposta rápida.
Fria.


“Estou cansada! Outro dia!”


Não insistiria.

Frustrado, dobrou-se.

Afagou o telecomando.
Acariciou o botão.
Zap. Publicidade.
Zap. Telenovela.
Zap. Mais de nada.
Nada de nada... não!
Um automóvel hondeado.
Uma mulher ondulada.

As coxas firmes.
As mamas cheias.


“Estou cansada!
Outro dia!
Hoje não!”


Parvo!
Porque insistia?
Escusava de ouvir
.
Disco de vinil.
Riscado.


Frustrado.
Uma vez mais.
Mais um dia, menos um dia.

Outro dia!
Nada!


Adormeceria de lado.

De costas voltadas.
Lençol fresco.
Entre coxas.
Quentes.


"Outro dia! Estou cansada!”

Claro!
Porque não?

Porque tentava tantas vezes?
Não percebera ainda que a paixão tem limites?
Que os limites são a fronteira da violação?
De quem?
De quê?


“De nada!
Não me chateies!
Estou cansada!”


Daniel Sant'Iago

terça-feira, 3 de abril de 2007

amor vermelho


"sem título"
alberto péssimo (moçambique)


Solta a mola da roupa, não será por capricho

que vomitarei no lixo o metal da gaiola.
Desunido o encaixe, consumirei na fogueira
o pedaço de madeira podre que me coube.


Cinzas e restos dum testamento indigesto.

Daniel Sant'Iago

domingo, 1 de abril de 2007

amor negro


"árvore uterina"
de josé dos santos


Era uma vez uma gota.
De um cacto.
O deserto.

Era uma vez uma gota.
De mel e fel.
O inferno.

Era uma vez uma gota.
De veneno verde.
A morte.

Sabor a sal-gema.
Aroma a alfazema.
De perto.

Só uma gota.
Decerto!


Daniel Sant'Iago

sexta-feira, 30 de março de 2007

da sede

*

cede à sede e bebe

o que mata
não é ceder
não é beber
mas a sede

de lábios
em greta

bebi

sou
assassino da
sede
gota em esponja encharcada

Daniel Sant'Iago


* "25-year-old woman with
finger in a glass of wine"
de silvestre machado (brasil)

quarta-feira, 28 de março de 2007

ar_risco_s


"sem título"
de emerenciano


traço
uma linha contínua sob o indicador

ponte
entre dois pontos do teu corpo

esboço
de um romance por escrever


fragmentos
de sargaços na areia

riscos
dos roços sobre os ossos

poços a beber


Daniel Sant'Iago

segunda-feira, 26 de março de 2007

sou verbo subentendido



eu sol________ tu eira de aveia
eu álcool_____ tu veia de sereia
eu anzol______ tu teia de colmeia

eu mar________ tu nua e areia
eu pilar______ tu rua e aldeia
eu algar______ tu falua e candeia

eu língua_____ tu paladar e geleia
eu gazua______ tu olhar e ameia
eu grua_______ tu vagar e ceia

eu correia____ tu trégua e queixume
eu cheia______ tu frágua e lume
eu meia_______ tu charrua e gume

somos
eu e tu
tuta-e-meia


Daniel Sant'Iago

sábado, 24 de março de 2007

para um dia
de muito vento


*
vens do vale
vendaval
ventania de emoções
...
e
uiva
meu amor

*
"wind blown"
jennifer matla


(Este texto encontra-se publicado...

... no meu livro)

sexta-feira, 23 de março de 2007

num plano (muito) alto


huambo - angola

Os lugares e os momentos e as pessoas
marcam-me quando me seduzem e me amarram.

O Plan(o)alto, onde nasceu este blogue,
inicia, hoje, o terceiro ano de vida.

A O'sanji, sua criadora, os meus parabéns!

Daniel Sant'Iago

quarta-feira, 21 de março de 2007

Li


"romeu sem julieta"
diana costa


O nome.
Li.
Chinesa.


- Beba!
Bebi.

Sorriu.
Sorri.

Chá de jasmim.
Numa chávena.

Deu-ma com duas mãos.
Com duas mãos a colhi.

Serena.
Meiga.
Traços de amêndoa no olhar.

Li.
Um poema.

Às seis da tarde.
De certo 21 de Março.

Daniel Sant'Iago

terça-feira, 20 de março de 2007

só mais um zé


"the camel" de pablo picasso

José, escritor, afirmava, em entrevista, que
trocava o prémio que lhe conferiram os sábios da Academia por mais quinze anos
de vida, esperançado
de o ganhar durante esse espaço de tempo.

Confirmava que, todos os dias,
por inveja, o chamavam arrogante.

Sobre António, outro escritor seu contemporâneo, não gostava de o ler. Porque não. Que não gostava da sua escrita.
"Pronto!"

Não era rico apesar do tal prémio que lhe fora oferecido.
Mas que também não era pobre.

Remediado, digo eu!

lavei o olhar
entre o azul
do mar e do céu
entre o chumbo das nuvens e das águas
entre os borrifos das ondas de sete metros
esmagadas contra os rochedos e as falésias
ontem seriam três
da tarde no cabo carvoeiro

emporcalhara o olhar e a pele dos meus dedos
com tanta tralha que lera naquela entrevista
da página dois do semanário sol de dezoito
de novembro de dois mil e seis sábado

numa entrevista imprevista

Daniel Sant'Iago

domingo, 18 de março de 2007

convite


amicizia

decide
onde e quando

sussurrarei

como e quanto

gritaremos
...


(Este texto encontra-se publicado...

... no meu livro)

sexta-feira, 16 de março de 2007

relatividade


"dois nus" de lasar segall

despido do acessório
sobrou-lhe o essencial

uns sobejos de restos
nus

sem cinto
as calças ruíram
nuns pés descalços
retalhados pelos vidros

acessórios essenciais

Daniel Sant'Iago

quarta-feira, 14 de março de 2007

O segredo de Joe Gould *



Esfrega as mãos. Encardidas. Negras.
Nós grossos.
Repetidamente.
Lixa que lixa a pele bem seca. Gretada.
Feliz. O frio glacial.
Saíra-lhe a Taluda! De Natal!

Uma chávena de leite a escaldar.
Dois atados. Cartão grosso.
Uma semana de The New York Post.
Sorte Grande de um sem-abrigo!

"Era a maior autoridade dos Estados Unidos
da América em matéria de viver sem nada."
E escrevia a História Oral!

vida vivida


Daniel Sant'Iago

* Mitchell, Joseph. Edições D. Quixote.

segunda-feira, 12 de março de 2007

fragmentos sem nexo


"desintegrações" de antónio ole


entre nós e nus

o caminho é tão curto

calamo-nos à força
de não nos entenderem

o silêncio
podendo ser isso tudo
será sobretudo
um modo de ser

o silêncio
adormece nos lábios

sei do silêncio
as palavras inúteis

- fico, cada dia, mais apaixonada por ti...
- não vale ficar mais do que eu...
- empatamos ou ganhamos os dois...
- ganhamos sempre...
- está frio e chuva lá fora..
- cá dentro... não!
- aqui... também! O vento...

E essas tuas mãos!

Daniel Sant'Iago

sábado, 10 de março de 2007

alarriba, arrais!


"nudo di ragazza" de egon schiele

lanço a rede ao luar
Ala! Arriba!
...
vagas
dunas de águas
...
algas
nuas de azuis
...
laço teus dedos em nós
escultor de pedra dura
...
escoro
escorro
...

Força, arrais!

(Este texto encontra-se publicado...

... no meu livro)