quarta-feira, 25 de julho de 2007
vestígios
rubros traços de lábios
retraços de palha em camisola de lã
aromas de suores e perfume
vestígios
do passeio desta tarde
testemunhas do proibido
um medo atroz
que esses vestígios te doam
se assim for
vou deixar de te possuir
para não mais te magoar
Daniel Sant'Iago
segunda-feira, 23 de julho de 2007
erros e eros
quinta-feira, 19 de julho de 2007
dia de renunciar
segunda-feira, 16 de julho de 2007
dia de mentir
sexta-feira, 13 de julho de 2007
ser ou não ser... mais livre

"yes to freedom" de jean michel folon
estreito o carreiro da falésia do rio douro
em ondas sinuosas percorrido
como sonhado
nessa madrugada sem sono
o sonho cumprir-se-ia
se fôssemos mais livres durante o caminhar
um limite apenas
não chorar um fio de mágoa
e
que cada um fizesse o que quisesse
nesse dia
fomos mais livres
porque conhecíamos claramente
o início e o fim das nossas liberdades
mais livre
gritei do alto da falésia
assustou-se a águia
e
encapelou-se a água
na superfície do rio douro
no regresso estava tudo como dantes
Daniel Sant'Iago
quarta-feira, 11 de julho de 2007
ser ou não ser... pessoa
acolhi-me à sombra dos pinheiros mansos
colhi pinhões torrados em fornos de sol
desfolhei o olhar pelo livro dos campos
recolhi-me imerso na mãe natureza farol
fundi-me no silêncio de cadinho braseiro
inteiramente corpo num espírito inteiro
e
renasci pessoa
desfolhei o olhar pelo livro dos campos
recolhi-me imerso na mãe natureza farol
fundi-me no silêncio de cadinho braseiro
inteiramente corpo num espírito inteiro
e
renasci pessoa
Daniel Sant'Iago
segunda-feira, 9 de julho de 2007
ser ou não ser... feliz

happiness de richard henson
todos queremos ser felizes
mas não somos seres felizes
a felicidade não existe
sondei momentos felizes
encontrei
momentos fugazes com cicatrizes
momentos tenazes com raízes
os fugazes com cicatrizes
dormiam em sonhos
no turbo coupé vermelho ferrari
no cartier de pulso e no armani
os tenazes com raízes
moravam em mim
não sei bem onde
retirados no silêncio e no prazer
de ser e não de ter
se sou feliz?
não sou!
tenho momentos felizes
em silêncio
com prazer
em mim
Daniel Sant'Iago
sexta-feira, 6 de julho de 2007
como um cão

ed heck (untitled)
Anda cá, meu rapaz, anda cá!
Mas que alvoroço vai por aqui...
Que se passa?
Sarna?
Não te satisfaz esse osso?
Faltam-te raspas de carne?
Ah... Não é osso! É plástico!
Mas é brinquedo... tão eficaz!
Vá lá, meu rapaz, va lá!
Brinca, trinca, afinca-lhe esse dente roaz!
Não foste tu que o abocanhaste?
Que voo para o parar no ar... um osso!
Que voo!
Zzzzzzzzzás-catrapás-pás-pás!
Vá lá!
Brinca!
Verás, meu velho, como te agradará ter essa vida
de maré-me-leva-maré-me-traz!
Dá cá o osso! Dá cá! Dá!
Toma!
Vai buscar, vai!
Busca, busca!
Dá cá ao dono! Dá!
Isso!
Menino bonito...
(Tão apetecível esta vida de cão...
Não é, meu velho Daniel?)
Daniel Sant'Iago
terça-feira, 3 de julho de 2007
a_risco

"seated nude" de amedeo mondigliani
deixa correr o risco de um toque
toque que te roce e nos provoque
deixa correr o risco de um beijo
beijo rubro entre línguas e fogo
deixa correr o risco de um grito
grito surdo retido nas gargantas
deixa correr o risco de um olhar
olhar verde em contornos de pele
deixa correr o risco de um trago
trago húmido entre poros de água
corridos os riscos
num barco ao largo
deixaremos todas as dúvidas de lado
Daniel Sant'Iago
sábado, 30 de junho de 2007
és diferente
terça-feira, 26 de junho de 2007
o meu sorriso
sábado, 23 de junho de 2007
ícaro
"sky watcher"
susan seddan boulet
como seria pouco
fazer das tuas mãos dois leitos impuros
fazer dos teus dedos dez súbditos mouros
fazer do teu peito douro um parapeito duro
miradouro perfeito
fazer das nossas bocas intróito de intuitos
fazer das nossas línguas um hálito maduro
futuro seguro
fazer do meu silêncio um grito infinito
fazer do meu querer um rito de mitos
tesouro de ouro maldito
proveito súbito de um delito suspeito
como seria louco
Daniel Sant'Iago
quarta-feira, 20 de junho de 2007
momento-memento

"red apple" de nelly arenas
sim
um momento-memento
tempo cristal de memória
como se o tempo não fosse
numa refeição
serpenteada por palavras
numa entrada
de ostras com molho de natas e limão
iguaria temperada com sal e pimenta
acabada de moer para fazer crescer
a água na boca e o gosto no olhar
um tinto reserva de colares
beijado entre os lábios
numa sobremesa
de maçã húmida vermelha de gotas
polpa envolta em casca de espelho
para mim
o prazer de molhar os dedos e morder o sabor
para ti
o prazer de cerrar o olhar e soprar o aroma
o mesmo caminho de quatro sentidos
divididos por dois num fruto único
um chá de jasmim e um cigarro
as palavras
essas
serpenteiam-nos ainda
Daniel Sant'Iago
segunda-feira, 18 de junho de 2007
roído de amor
quarta-feira, 13 de junho de 2007
ser_vida...
"death and life"
tique taque
taque tique
geme mãe
puto grita
muito tempo
tempo muito
taque tique
tique taque
forte achaque
xeque mate
tique ... tique
taque ... taque
Traque! Pum!
Que chique fraque!
Daniel Sant'Iago
taque tique
geme mãe
puto grita
muito tempo
tempo muito
taque tique
tique taque
forte achaque
xeque mate
tique ... tique
taque ... taque
Traque! Pum!
Que chique fraque!
Daniel Sant'Iago
segunda-feira, 11 de junho de 2007
terra - mãe

"in the land where magic began"
terra-mãe da promissão
pariste estatueta de terracota
com raízes das sementes num torrão
cresci terriço na terra de ninguém
prometida terra-mãe
um tremor na vida e caí por terra
mãe-terra prometida
quero uma língua de terra
terra-mãe
sete palmos de terra da promissão
minha terra-mãe
Daniel Sant'Iago
sábado, 9 de junho de 2007
a promessa im_possível
quinta-feira, 7 de junho de 2007
o segredo do cofre

laure prouvost (untitled)
Escuta...
Quero revelar-te um segredo.
Pendurei um cofre pequeno entre as folhas
sempre verdes da árvore grande do quintal.
Ao sol e à chuva e ao vento resistiu.
A tudo!
Aqui tens a chave e o código.
Quando o abrires, não te surpreendas.
Respira-lhe o ar puro porque os sonhos
e as memórias nunca me confessarão!
Código: "nu10".
Chave: sob o papel lavável da
terceira gaveta da cómoda negra.
Daniel Sant'Iago
terça-feira, 5 de junho de 2007
fogo posto

"warming fire" de loren entz
Brincámos com o fogo
e uma faúlha na seara foi fogo posto.
Em trigo roxo.
Acha a acha, atiçámos um fogo brando,
lento, médio, alto e vivo.
Chamas rubras entre negras labaredas.
Clamas aos gritos...
Tocas a rebate...
Fogueiro, fogo!
Presos entre dois fogos, o teu e o meu,
tu e eu.
Apagar ou deixar morrer?
Fogo de vista?
Fogo de artifício ou preso?
Cortinas de fumo?
Uma prova de fogo cruzado, a ferro e fogo.
Ou lanço mais achas ou apago!
Deixar morrer?
Nunca!
Fumarolas são fogo...
Sinto-te fogo, lava e vulcão.
Mas, se tens pavor, sopra, atiça
e deixa assar as achas todas.
Serão cinzas do trigo roxo.
Desse nosso fogo posto.
Daniel Sant'Iago
sábado, 2 de junho de 2007
baga_telas

"desnudo in la playa" de fortuny marsal
(museu do prado)
quem da praia
escolhe o rochedo nu e esquece a água fria
quem da praia
escolhe o calor do sol e esquece a areia fina
quem da praia
escolhe o corpo e esquece olhares traquinas
tem do mar
o rumor das ondas em maré vazia
a brisa leve sobre a pele macia
a garantia eterna dum segredo
numa relação de contrastes
da tua carne clara e macia
sobre um rochedo escuro e duro
corpo de luz morna sobre um negro quente
Daniel Sant'Iago
Subscrever:
Mensagens (Atom)









