
"peachy keen" de phyl schok
Não resisti à oferta dum pêssego, fruto do
teu pomar, carnudo, sumarento, rosáceo e
maduro, envolto em penugem sedosa que
acamei de cima a baixo e do centro
para os lados.
Rodei-o nas palmas das mãos.
E, juntando as unhas dos polegares - bem no alto,
bem no centro, onde secara o pedúnculo - e a
polpa dos dedos restantes em redor, abri-o
num golpe , de par em par, em dois
hemisférios por um meridiano
nascido dos polegares até
ao bico do fundo.
Escorreu o aroma do suco pelos dedos
e nas pontas sorvi-o gota a gota,
pingo a pingo.
Solto o caroço, suguei-o pela língua
ao céu-da-boca e volteei-o mil vezes
até senti-lo duro, grosso e limpo.
Foi então que, esfomeado, sedento e guloso
o devorei, pedaço a pedaço até o sabor
desaparecer em perfume.
Ao caroço enterrei-o no teu pomar na esperança de que,
no próximo ano, não precises de mo oferecer e eu o
possa colher sem ter que to pedir.
Daniel Sant'Iago


















