Mas, dada a falta de arte de montar toda a sela, convincentes foram a queda e o empurrão do dorso pelado do animal.
E, num ápice, passei de cavaleiro inseguro a suja ferradura calcada.
agora sei que o meu poder tem a dimensão dum grão de areia do deserto e o peso dum leve ar num vendaval desfeito e o fado do primeiro passo em longa caminhada
o meu poder é pequena coisa um ar que lhe deu uma agulha em palheiro um bafo na aragem um quase nada
o meu poder é descalçar a ferradura envenenar o ar da aragem não dar o primeiro passo e a pequena coisa quase nada será agulha na engrenagem
Estudo sobre "campo de papoilas" de Alice Rabaça Gaspar Fernandes Vaz
O além tejo de ontem envolvia-se numa manta forrada a searas verdes de tufos de papoilas em recantos vermelhos de cantos em descante dolente.
Cravo dente em carne dada, em cantinho exclusivo, sedutora nódoa negra, um encanto de desnudado encantamento num quarto acamado para poente.
Um além tejo de verões idos num canto moreno chorado desafio em montes de fogo.
um além tejo de tróia às serranias do sul de encanto de posses de epopeias de sonetos de quadras saloias Atravesso a ponte sobre o Rio Tejo, rumo a monte deserto, numa ponte do calendário. Vem, meu bem, vem também, afecto e trajecto sob azul! Daniel Sant'Iago
Na vinha herdada de meu avô, na encosta virada a sul, desfolhei parras à cepa e desbaguei cachos de engaços, esmaguei bagos em vinho, sumo e óleo de grainhas.
Difícil foi o passo seguinte, a caminho de silêncios.
de fora para bem dentro bem fundo íntimo em corpalma abandonando cepas nuas da infinidade de bagos para a infinidade de mim
Da vinha vazia, infindo lugar exterior, para vazia consciência de um interior sem limite.
indo de oásis em oásis indo de vazio em vazio por areias de desertos a caminho de infinitos
E, neste mítico progresso, sinto regressos vários. Incapaz de ser humano vivente naquela infinidade de desertos.
Valem os esforços diários ao clarificar caminhos de interioridade.