quarta-feira, 7 de março de 2007

a minha última carta ridícula


josé rodrigues
in "o amoroso" de josé viale moutinho

Esta é a minha última carta ridícula.
Pelo tempo que disponho, levar-me-á três dias
a escrever. Antes, durante e no dayafter de oito
de Março de 2007. Comemoram o Dia Internacional
da
Mulher. Um dia. Supranacional. Só teu.

Feliz por se lembrarem de ti?

Não me recordes que há necessidade de tempos fortes
para que o óbvio seja trombeta.

Ontem, à noite, antes de me deitar, retirei da jarrinha de vidro o botão de rosa vermelho, pétalas em cálice de sépalas verdes, e uma espiga de trigo branco e cru.
Comprei-tos quando saímos do Vasco da Gama a caminho do parque A2. Não era dia de nada embora desejássemos uma noite de tudo.

Beijaste-me um obrigada.

Corridas umas semanas, a flor entrigada mantinha-se
vestida de vermelho mais desbotado. Do verde e do
branco e cru nem sinal de desmaios.

O meu acto de amor fora de plástico made in china.

Vou enterrar o ramo de duas peças na areia da
jarrinha de vidro depois de lhe ter limpo o pó.

Entre pétalas, o vermelho vivo recordou-me
aquele dia de nada. De há tanto tempo...

Daniel Sant'Iago

21 comentários:

Anónimo disse...

Bonito gesto...

:-)
:-)

Beijo.

lisa disse...

Ups!!! a mensagem anterior é minha, sory...

Outro beijo.

Luís disse...

São esses dias de nada os mais preciosos.

Unknown disse...

lisa
Foi... não será?

Unknown disse...

luís
Os dias de todos são muito vulgares...

Peter's Thoughts disse...

Esses são os melhores dias.
Gostei..."Não era dia de nada embora desejássemos uma noite de tudo."
Muito.
Abraço

Unknown disse...

peter's...
Uma "ilha dos amores"...

Anónimo disse...

"Never say never" ou, neste caso, "nunca digas a última"... há sempre o tempo de mais uma carta ridícula...
Beijo

Maria P. disse...

Espero que tenhas escolhido um selo bonito para essa carta.

Beijos.

Unknown disse...

o'sanji
A última... porque foi a última a ser escrita. Mas... nunca se sabe.
Confuso?

maria p.
Dos que se colam com a ajuda da saliva?

Maria P. disse...

Sim.

Unknown disse...

maria p.
Colado... o selo!

Maria P. disse...

Ainda bem. A carta merece.

Anónimo disse...

Deixo um beijo a desejar uma continuação de boa semana.


A carta?

Cruamente bela e melancólica.

Unknown disse...

ela
Igualmente.
Sim... crua que não cruel.

Conceição Bernardino disse...

Olá,

Povo

Ò povo que trais sem saber
O corpo que cansada da luta não
Pode ver

Ò néscio que não tiveste
Quem a ti te ensinasse
A andar.

Ò triste que caminhas com os
Pés dos outros,
Sem saber no que estás a pisar!

Poema da autoria de LILIANA BARRETO do LIVRO POISEIS II

Desejo-te uma bela semana, na companhia deste belo poema que encantou os sentidos.

Beijinhos ConceiçãoB
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com

Unknown disse...

conceição b...
Obrigado pelo poema e pelo desejo.
Irei visitar-te mais tarde.

as velas ardem ate ao fim disse...

Um gesti bonito, seja ele made in China ou feito de ouro.

Como mulher o dia em si não me diz nada.Acho que todos os dias são dias de todos nós seres humanos que chegamos ao fim de mais um dia heroicamente.

para ti bjos

Dos Santos Pintor disse...

Os dias só valem por aquilo que neles acontece.
Atreveria-me antes a dizer: Valem por tudo quanto somos capazes de fazer acontecer.
Boa noite e até amanhã.

Unknown disse...

Está quase aí
o dia em que inspirados,
diremos umas palavras
com mais mel do que o costume,
mas com o afecto de sempre,
por vezes esquecendo ou não lembrando 1857.
Obrigado mulheres:
Mãe, Maria, Bela.
Pelo menos às três.

Unknown disse...

maria p.
Ficaste sem resposta... lá para cima.

vela
Lê a carta de hoje...

dos santos...
Boa noite e até logo!

mário...
Com o afecto de sempre...
Pelo menos... pelo menos!
Até logo!