sexta-feira, 27 de julho de 2007

a quente


" a husband with his left arm on fire"

Abraso, vermelho de sangue e raiva.

Escrevo a quente como se malhasse em ferro
à boca do fole.

Mas a palavra martelada já não molda, como gostaria,
os dias que vou andando.


Não!

Não é prudente pensar a quente.
Falar a quente.
Escrever a quente.

Eu sei.

Fervilham as emoções.
Estoira o ódio.
Ressoam os gritos.

Escrever a quente é malhar em ferro frio.
Parece que dobra a preceito e, de repente,
quebra sem jeito.

Daniel Sant'Iago

15 comentários:

Maria P. disse...

És brasa que abrasa(me) sempre!

Beijo.

Entre linhas... disse...

Um fervilhar de emoções onde tudo pode acontecer.
Bom fim de semana
Bjs Zita

Ka disse...

Mas escrever a quente,
ao correr da pena e do sentimento,
serve como ajuda para
não partilhar com mais gente
a angustia desse momento

Beijinho e bom fim-de-semama

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Impulsiva como sou conheço bem essa sensação de " a quente". Não imaginas como me revejo neste poema, como reconheço esse sentimento fogo, ardente, aqui, tão majestosamente descrito por ti.

Um beijo e um bom dia

Principios&Fins disse...

E depois... vem o arrependimento de coisas que se disseram ou escreveram, porque não são sentidas na totalidade? Será mesmo assim?

Anónimo disse...

Mas a quente é mais vermelho, mais vivo, se bem que menos prudente!
Carla

Jéssica disse...

Adoro a cor vermelha. Lembra paixão, q lembra fogo... e por aí vai... Bom fim de semana*.*

(cheguei aki pela doce Mary)

Bru disse...

Iago


escreve a quente e falas a morno.


bru

princesa disse...

*
não é prudente...
... pensar!
... falar!
... escrever a quente!

Em silêncio brincas a medo e a quente... assim é prudente teu SENTIR ardente!

+um

(não consigo "passar" sem te ler, meu prof.)

Poemas e Cotidiano disse...

Querido Daniel: Com o tempo aprendi que as palavras ditas, seguem vivas e jamais sao apagadas.
Por isso, penso muito antes de falar. Dita, nao pode ser engolida. E permanece na lembranca como que pirografada.
Aprendi que quando estou "muito quente", vermelha, e possessa... tenho que respirar fundo, sair um pouco "de mim", e recobrar a "consciencia"...
Uma vez vi um caso de alguem que recebeu uma carta agressiva, e essa pessoa guardou-a na gaveta. Perguntei por que. Ela disse que ela sempre esperava uns dois dias e lia de novo. E que o sentido sempre era diferente. Depois de uns 2 dias, o autor da carta veio procura-lo. E pediu desculpas.
Nao sei mas acho que somos muito impulsivos em nossas emocoes (eu pelo menos), mas estou tentando me corrigir.
Um beijo querido.
Mary

Poemas e Cotidiano disse...

PS: Outra coisa Daniel. Fico sempre de boca aberta como voce escolhe a figura de seus poemas.
Esta esta simplesmente PERFEITA!
Beijos
Mary

APC disse...

Quebramos sempre algo se reagimos a quente. Parece que nas emoções há dois fogos distintos. Um amolece-nos as defesas, o outro é duro e fere.

Não me deixes ir de férias sem me despedir! :-P

ivone disse...

é deveras im_________prudente a quente...
mas é divinal soberbo magnífico sublime...
tocar
pensar
olhar
amar
escrever
soletrar
beijar

etecetera

lurainbow disse...

P.S Um convite lá no blog ;)

daniel sant'iago disse...

maria p.
Inconveniente com este calor todo.
Espera pelo Inverno...

zita
Bem-vinda!
Tudo... mas mesmo tudo... com em Porto Côvo!

ka
Um comentário e poema!
Gosto.

titá
Que fazer?
Saem a quente... Logo se vê!

princípios&fins
Tanta vez... assim!

carla
Difícil a contenção...

jéssica
Bem-vinda!
Pois vai! Melhor... vamos!

bru
Do tempo...

princesa
Este calor...

mary
Como as pedras... que nos saltam das mãos.
Se acertam no alvo...

apc
Entre dois fogos...
Boas férias!

ivone
Pois...

lurainbow
Já respondi...