sábado, 18 de novembro de 2006
a morte
entre
actos de amor
nos passos da vida
só um traço-de-união
entre
margens de rios
de dor e de saudade
também
daniel
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
princesa de muitos mimos - III

michael wertz
Regressaram aos gritos... por recreios e corredores...
Alagados em sorrisos e apinhados nas palavras...
- Acordámos o veterinário...
- Dois euros e cinquenta cêntimos para as vacinas...
Na cédula da cadelinha constava um nome. "A Kintudê"!
Tal e qual. Com capa e tudo. O nome da turma... 5ºD.
E ainda... a trela de cabedal vermelho... a coleira
medicinal... a comida fina... o champô para as pulgas e carraças...
- Eu dou-lhe banho - comprometia-se a Joana. Sei como é!
Muita publicidade colorida... e um relógio a sério, lindo, todo amarelo... Mas só um!
- Trezentos e cinquenta euros para a casota de cimento, branca nas paredes e rosa nas telhas... Vem mais tarde!
Era pesada...
E alguns pais, tão loucos como o veterinário e os miúdos, acolhiam a cadelinha ao fim-de-semana ou saltavam a grade da escola para que "A Kintudê" não passasse fome nem sede nem morresse de saudades...
Passados dias, recontei os trocos sobejos.
Sobrara muito mais do que havia sido gasto...
Seriam os trocos sementes em terreno fértil?
Alguém repôs o vazio do saco de plástico vermelho...
Ai se eu vos confessasse como leveda o fermento desta "massa"...
Pela trela, arrastavam a cadelinha, princesa de muitos meninos!
daniel
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
princesa de muitos mimos - II

michael wertz
Já na aula, de pé, armei-me em todo-poderoso.
- Abrir a lição!
- E a cadelinha?
- A brir a li ção...
- Temos dinheiro... Da venda do jornal de turma.
- ABRIR A LIÇÃO!
- E podíamos ir ao veterinário...
Com o berro... aquele ar gelado de professor cumpridor... inflexível.
- E se a cadelinha morre?
E eu convencido que, naquele momento, cadelinha... já fora!
- Ela está à espera de bebé...
Estranhamente, os cadernos diários mantinham-se aferrolhados...
- Já morreu. Cochichou a Inês.
Desisti! Dei-me por vencido! Impossível resistir à força interior dos miúdos...
Passei-lhes para a mão o saco de plástico vermelho... o nosso cofre-forte.
Distribuímos tarefas... E responsabilizei-os por tudo... Por tudo mesmo!
Desapareceram-me da vista num ápice! Todos!
À secretária, comigo e com o livro de ponto nos dedos, grudou-se-me a angústia.
- Meti-me noutra...
Os meus botões anuíram...
- E o programa? Que vou escrever no sumário? E se acontece alguma coisa a algum?
Mas... para que estás tu tão angustiado se a cadelinha já morreu?
Pois...
daniel
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
princesa de muitos mimos - I

michael wertz
Oito horas duma manhã sonolenta.
Seria outro o Novembro.
Subia eu e a preguiça a alameda de acesso
ao edifício da escola.
De um grupo de alunos, saltaram o Fábio e o Mário,
com voz pequena e olhar amarelo:
- Setor, está ali uma cadelinha grávida... meio morta!
Levou uma bolada!
Despertei dos passos arrastados...
De facto, de patas para o ar, como quem mendiga
umas carícias na barriga, de olhos em bugalhos,
esperneando, o animal parecia não ir durar muito...
Para plantão à cadela sobraram dois dum exército
de detectives, de lupa em punho, em busca do agressor perdido...
Só encontrámos a bola...
Oito e catorze. O primeiro toque.
- Para a sala! Impus...
Assustaram-se...
daniel
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
sótão para os teus cabelos brancos

"morning sun" de edward hopper
Reacendo o sonho.
De meu pai.
Um Tê0!
sótão para sul
Com um terraço.
Arribado sobre areia.
Brinco de uma rocha.
Areado pelo sol.
Roxo de anil.
Dois livros.
Um CD.
Luz.
Ar.
sótão para sol
para teus cabelos brancos
saciei-me numa bola de sabão
no sol de uma verde madrugada
vermelha a sul em nascente azul
de águas salgadas sobre a mareia
sótão para rua
entre os farrapos dos trapos velhos
rasgados às dentadas pelo serra da estrela
sótão para mar
Que a lua nos desperte, em quarto crescente, a nascente,
e nos adormeça, em quarto minguante, a poente.
Que o enrolar quente das ondas nos baloice, amantes.
Que a nortada refresque as tardes, suados.
Que a morte nos seduza, abraçados.
Que o canto de Fauré nos encaminhe In Paradisum. Requiem!
Que o meu serra da estrela acorde e uive, mansinho. Serenos.
o sótão para os teus cabelos brancos
Pedrinho.
Menino parido em barraca de madeira.
Cinzelado na noite negra do nascimento.
Por um raio de luar, nascido dum orifício.
Talhado por um pica-pau no contraplacado.
Ferrado nas costas da mão esquerda.
Sinal de lua em quarto crescente.
Pobre. Ferrado. Diferente.
Fui
bola de sabão
só tão para nós.
daniel
domingo, 12 de novembro de 2006
aos domingos - 12 de novembro
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
simples mente simples

"dive in", sherry's
Daniel
Revivi com os teus últimos posts. Confirmo que te autorizei a entrares "fundo na alma da (minha) alma".
(Ainda me deslumbro com poetas. Destes. A sério!
Como Fernando Pessoa.)
E pedes-me o impossível.
"O que é ser simples? Tu sabes!".
Eu sei? Eu... que sou um complicado?
Mas... o que entendes tu por "ser simples"?
Ora... escolhe:
Modesto? (Tento...)
Não sofisticado? (Só exteriormente...)
Espontâneo? (Sim!)
Franco? (Às vezes...)
Ignorante nas simulações e fingimentos? (Assim... assim...)
Pobre? (Que remédio!)
Ingénuo? (Quase sempre...)
Sem malícia? (Quase nunca...)
Com conhecimentos rudimentares? (Há piores...)
Sem grande experiência? (Com alguma...)
Com modos despretensiosos? (Sem dúvida!)
E agora? Como descalço esta bota?
Para te ser franco... não sou simples. Pareço ser.
Por dentro... sou muito complicado! Nem calculas...
Se soubesses...
Este ar sereno, verdadeiro e humano dá muito trabalho!
É resultado de raciocínio, de sofisticação...
Simples? Assim?
Não! Muito complicado!
Simples é o ar que respiro.
Simples é a água que se bebe.
Simples é o fogo que me aquece.
Mas não os definas porque é muito complicado!
Tenho algumas vantagens.
Ser obrigado a distribuir pelos meses os euros do ordenado!
Não poder levar muito tempo a escolher roupa e calçado!
Preferir ser a ter!
Simples? Não!
Complicado!
A simplicidade para os simples! Tribo a que não pertenço.
Passei por Assis e teria por lá ficado... Com o Francisco.
Complicado... Muito complicado!
Seria simplista se simplificasse a simplicidade dos simples.
Um abraço. Simplesmente.
Pedro.
E eu que garantia, a pés juntos,
que serias muito simples...
Afinal... um complicado!
daniel
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
dar
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
a cor que faltava

"soir bleu" de edward hopper
Lisboa, 31 de Outubro de ...
Daniel
Ontem, ao jantar, num restaurante do Bairro Alto,
faltava-me uma cor para concluir o quadro em esboço...
Ao meu lado, na mesa, sentava-se a... Linda como sempre!
O colar sugava-me o olhar para o decote de pele firme ao abandono...
E o sorriso e os olhos. E as palavras e os lábios. E as mãos e as carícias.
Presentes de sons e cores.
Uma pauta e uma paleta. Pat Metheny e Hopper.
O pincel e o desejo.
Só me faltava o vermelho!
E os meus sentidos despertaram num acorde maior. Num hino.
E o olfacto saboreou um beijo. E o olhar demorou no aroma.
E o tacto repousou na sede.
E propus com o silêncio que me escutasse um segredo.
Senti-lhe, sob o tampo da mesa, a ternura e a tremura.
E os meus toques mudos murmuraram-lhe tons nos lábios do ouvido.
E o vermelho brotou corado. Dióspiros nas maçãs do rosto.
Zeus alimentava-se connosco.
Podia concluir o quadro. Nos tons de vermelho.
E os frutos regaram sumo entre vinhos.
Assinei a orgia.
Um abraço.
Pedro
Além de sensual, és um irreverente!
Eu... levaria um estalo.
Mas tu és diferente!
daniel
domingo, 5 de novembro de 2006
aos domingos - 5 de novembro
sexta-feira, 3 de novembro de 2006
seios
quarta-feira, 1 de novembro de 2006
paulo

"rooms by the sea" de edward hopper
Conceba-se Pedro por Paulo.
Um Silva mais.
Mas pai,
naquela noite de luar,consumido em labaredas,
entre os cantos da barraca. Fora da madeira!
De si!
Três passos de sofrimento desmedido.
Quilómetros de gritos e gemidos gelados.
Cansados!
paulo e maria
casados
pais de pedrinho
o menino diferente
ferrado
com um quarto crescente
nas costas da mão esquerda
paulo
ria as lágrimas que chorava
vestia o frio que o gelava
comia a fome que o matava
bebia a sede que o secava
espontâneo como a erva
simples como o mar
deus dum sedutor
de mulheres
que o sonhavam suado
no terraço dum T zero
seio do sul
cavaleiro da praia
sob um raio de sol sensual
com um serra da estrela adormecido ao lado
daniel
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
maria

"la femme de l'amour" de francis picabia
era
maria dos santos
somente
Maria é mãe de Pedrinho.
Do menino pobre, ferrado e diferente.
Pedrinho é fruto parido de semente acolhida entre quentes.
E Maria foi mãe.
Silva, Maria dos Santos... também.
maria será
sempre a mãe de pedrinho ferrado por um raio de luar
em quarto crescente
amou muito e sempre
por isso é mãe de um menino diferente
daniel
domingo, 29 de outubro de 2006
aos domingos - 29 de outubro
sexta-feira, 27 de outubro de 2006
pedro

"geopoliticus child" de salvador dalí
pedro é o nome próprio
santos silva são os apelidos da família
santos da mãe
silva do pai
pedrinho é nome próprio de menino
pedrinho é o nome do próprio
pedrinho é
silva, pedro santos
Pedrinho é menino e pobre. Parido em barraca de madeira.
Mas Pedrinho é diferente.
Tem um sinal mais moreno. Cinzelado, na noite negra
do nascimento. Por um raio de luar, nascido num
orifício. Talhado por pica-pau no telhado do
barraco. Coberto de contraplacado.
Nas costas da mão esquerda foi ferrado.
A lua em quarto crescente.
Pedrinho é um menino.
Pobre.
Ferrado.
Diferente.
daniel
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
trilhos cruéis

"sem título" de armanda passos
trilhos retalhados por cicatrizes na fronteira de actos extremados medeiam e sacralizam absurdos sentimentos selvagens
são culpas de Medeia
sacerdotisa de gelo assassina cruel dos filhos de linho fino num desgrenhado acto premeditado para vingança servida por neves eternas
daniel
segunda-feira, 23 de outubro de 2006
as palavras que eu sou
domingo, 22 de outubro de 2006
aos domingos - 22 de outubro
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
dois professores

Professor de quadro de zona pedagógica.
Beja. 35 anos.
Dá a última aula a correr...
6ª. 5 da tarde.
Até 2ª! Às 8 da manhã!
Voa-lhe o desejo pela IP2...
1 bica e 1 queque, por favor!
Prego a fundo que se faz tarde... muito cedo!
Professora de quadro de escola. Numa aldeia.
37 de idade. 5 da tarde. 6ª.
Ele acabou a última aula... Só mais 2 horas!
Meninos! Banho! Jantar! O pai está a chegar!
Alto... a Guarda! Em casa!
Estaciona devagar... olha que as jantes roçam
no passeio. Uma chave e a porta. Que alvoroço!
Parti um vidro na escola...
Caiu a cabeça à boneca!
Jantar! Os desenhos animados são para amanhã de manhã!
Ó-ó!
Na mesa... uma vela acesa!
Na cama... a luz dum raio e o eco dum trovão!
2ª. 5 da manhã. Outra semana...
Ele beija! Ela aguarda!
Bom dia! Hoje, no fim da aula, gostaria que
soubessem com que suor é amassado o pão...
deste vosso professor.
E, na 6ª, às 5 da tarde...
No mês seguinte...
Durante um ano...
Para o próximo... logo se verá!
daniel
quarta-feira, 18 de outubro de 2006
mais um dia
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
eu remo
domingo, 15 de outubro de 2006
aos domingos - 15 de outubro
sexta-feira, 13 de outubro de 2006
sonhos por cumprir

"rainbow, sun, rain" (child art painting)
Numa mão... a mão da mãe.
Na outra... um papel amarrotado.
Um desenho!
Em baixo, ao fundo, meio palmo de verde.
Totalmente verde!
A Terra!
No quarto superior direito, ao centro, um círculo.
Tremido, com raios amarelos todos tortos.
O Sol!
No canto superior esquerdo, tantos riscos.
De todas as cores da colecção dos marcadores...
O Arco-íris!
Um arco-íris sem chuva?
Este só precisa de sol!
Sobre a Terra verde um arco-íris, sem chuva,
espelho do Sol e dos olhos do menino.
daniel
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
pretérito imperfeito
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
dos verbos
domingo, 8 de outubro de 2006
aos domingos - 8 de outubro

"honey is sweeter than blood"
salvador dalí
coisas
... garantia-me um filósofo grego
ou um político germânico que...
"Todos vivemos debaixo do mesmo céu...
mas nem todos temos o mesmo horizonte."
Mas...
... será o meu céu o mesmo que o teu?
... será o teu horizonte diferente do meu?
Não é, pois não?
Não faremos parte de todos...
Seremos um todo em duas partes.
Ou apenas uns trocos num jogo de trocadilhos?
daniel
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
da esperança
quarta-feira, 4 de outubro de 2006
gemi teu nome
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
sonho com febre de lírios
40,tal graus de febre
brasas e pânico
delírios de lírios-fétidos
odor quente de carne esmagada
doamos sempre as noites a quem amamos
em sono profundo
na fadiga dum mal dormir
por dor ou amor
dos outros
de nós próprios
40º,tal graus delirantes
amar-te-ei como ainda não sabes
se te convenceste de que as mãos não dizem
nunca amaste
só remexeste e mal
40,tal graus de lírios-d'água
já devo ter dito muito
tudo
não me importo de continuar a ser
embrulho
40,tal graus de suor
sinto-me molhado
daniel
sábado, 30 de setembro de 2006
... o poder da palavra em TPC para fim-de-semana...
Transcrevo, "ipsis verbis"...
[Tire um tempo para relaxar e recuperar a energia.
Já experimentou a "resposta relaxante"?
Esta técnica consiste na repetição de uma palavra, som ou frase enquanto está sentada com os olhos fechados.
A repetição permite-lhe alhear-se de outros pensamentos.
Experimente durante 10-20 minutos por dia num ambiente tranquilo e sem distracções.
Cereal Partners - Nestlé & General Mills]"
Em que consiste a técnica?
Repetir!
O quê?
Som ou palavras!
Como e quando?
Sentada com os olhos fechados!
Quanto?
10 a 20 minutos por dia!
Onde?
Ambiente tranquilo e sem distracções!
Será que se relaxa e se recupera a energia?
Aceitam-se descrições das respostas relaxantes... ou não!
daniel
quinta-feira, 28 de setembro de 2006
entre cais

"venus and sailor", salvador dalí
cais a oriente
o comboio num cais de chegada
num oriente de nascentes
dois beijos de dúvidas com tremuras nos lábios
de ir mais além e esperar
pelos degraus até ao carro
para viagem por infinitos da foz do estuário ao mar
não recordo um único som
surdo não amputado
cais a ocidente
a traineira num cais de partida
num ocidente de acasos
ocaso de todas as dúvidas
num jantar de linguado de pescaria fértil
a prazo
daniel
terça-feira, 26 de setembro de 2006
me
sábado, 23 de setembro de 2006
um "bacio" ou a inaptidão para comprar presentes...
blogonovela às postas
posta quinta
Deixa...
... que te confesse que adoro o italiano!
É sonoro!
É cantabile!
É idioma!
Tem aroma a pizza!
Sabe a ópera!
Deixa...
... que fique bem claro!
Um "bacio" italiano não é... um beijo!
O "bacio" é bombom... chocolate!
Entreabrem-se os lábios e o bem_bom desliza, húmido, entre a língua e o céu-da-boca.
Desfaz-se!
Esgueira-se pela garganta!
Sumiu.
Era...
Foi um bombom, de nome "bacio", italiano, um só, embrulhado em papel prateado...
... com um laço no nó...
Dominó!
Palhaço!
Deixa...
... que te beije.
Um beijo em português.
Foneticamente surdo...labial e dento-palatal.
Vem embrulhado com um nada de tudo...
É brasa quando, doce, nos alaga os lábios e a boca...
É sal quando se demora no sulco duma lágrima evaporada...
É fome quando, leve e breve, resvala na pele.
Deixa...
... que este beijo tão bom... te aqueça.
... que o milagre aconteça.
... que a minha falta de jeito para comprar presentes te faça esboçar um sorriso aberto.
... que se soltem gargalhadas sem siso.
... que se renovem os estreitos carreiros dos afectos.
(fim da blogonovela - posta última )
daniel
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
um "bacio" ou a inaptidão para comprar presentes...

blogonovela às postas
posta quarta
- Quanto devo?
Paguei.
E recebi de troco:
- Era só um "bacio" que queria?
Era... Bastava-me um só! Desde que tivesse um laço prateado no nó...
E saí porta fora, feliz como um garoto armado em petiz...
O presente na mão, pendurado, seguro pela ponta da fita, entre o polegar e o indicador.
Que coisa! Saberia italiano a empregada do balcão?
[És louco, meu velho, pataroco de todo!
Foi tão só a tua apregoada falta de jeito para comprar presentes!
Foi tão só a tua apregoada falta de jeito para entender sorrisos!
Já sabia... O tal parvo-de-serviço!]
(fim da penúltima posta)
daniel
quinta-feira, 21 de setembro de 2006
um "bacio" ou a inaptidão para comprar presentes...
foto de Lauranne, "Le monstre au miroir"blogonovela às postas
posta terceira
A empregada do balcão pousou-me o bombom entre os cotovelos...
- É um presente... Embrulhe-mo em papel de festa, com um nó no laço prateado. Por favor...
Fixou-me nervosa. Visivelmente perturbada. E repeti, primeiro, para dentro e, em seguida, para ela, sem sombra de qualquer culpa...
- É um presente! Embrulhe-mo em papel de... por favor!
Que estranho! Que dificuldade em embrulhar-me o presente: sobrava o papel de festa prateado... o laço não dava o nó...
Mas será tão difícil assim dar o nó? Passar o laço?
É só fita! Prateada...
[Assustaste a pequena, meu monstro! Sem querer... mas assustaste!]
Olhei-me ao espelho da prateleira dos bombons... Não tinha mudado nada! Era exactamente o mesmo da manhã, no espelho da minha casa-de-banho! Tal e qual! Sem tirar nem pôr! Eu!
Onde estava o monstro, afinal?
[Pediste um "bacio"...
Pediste um "bacio"-por-favor...
Pediste um "bacio"-por-favor-embrulhado-em-papel-prateado...
Pediste um "bacio"-por-favor-embrulhado-em-papel-
prateado-com-laço-no-nó...]
(fim da terceira posta)
daniel


















